“Antes do Nascer do Sol”: Filme sobre Aury Bodanese chegará a 47 milhões de alunos da educação básica no Brasil

Um projeto cinematográfico de grande impacto cultural e educacional está prestes a ser lançado. O filme “Antes do Nascer do Sol”, que contará a trajetória do líder cooperativista Aury Luiz Bodanese, tem a meta ambiciosa de alcançar 47 milhões de alunos da educação básica brasileira. O lançamento oficial do projeto ocorre no próximo dia 18 de novembro, no Grupo Condá de Comunicação, em Chapecó (SC).

O objetivo é disponibilizar a obra gratuitamente para toda a rede de ensino, composta por 179.300 escolas, segundo dados de 2024 do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Ditetor do Filme: Osnei de Lima
 
Um Legado de Honestidade e Cooperação para a Educação

A partir de agosto de 2028, o filme deverá ser distribuído a todos os 47.088.922 estudantes, tanto de áreas urbanas quanto rurais, por meio de um link gratuito. A viabilização dessa distribuição em massa dependerá de acordos com os governos estaduais.

A iniciativa é defendida por Beatriz Bodanese, filha de Aury, que também participará da revisão de roteiro ao lado do jornalista Homero Milton Franco entre dezembro de 2025 e março de 2026.

“Precisamos mostrar para essa nova geração de brasileiros que ser honesto vale a pena e que a cooperação autêntica faz crescer o IDH das respectivas regiões”, declarou Beatriz Bodanese.

Lançamento nos Cinemas e Datas Comemorativas

Antes de chegar à rede de ensino, a película terá sua estreia comercial. De acordo com o diretor Osnei de Lima, o filme ganhará as telas dos cinemas nacionais, de alguns outros países e de plataformas de streaming em 2027.

A data é simbólica: em 2027, Chapecó festejará 110 anos de história, e a Cooperalfa, uma das principais criações de Aury Bodanese, celebrará seu 60º aniversário.

Detalhes do Evento de Lançamento em Chapecó

O pontapé inicial do projeto será dado no dia 18 de novembro de 2025, no Grupo Condá/RDC de Comunicação. O evento será o gerador oficial do sinal para cerca de 30 plataformas digitais convidadas, cobrindo os estados do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Julmir Cecon, roteirista e gestor do projeto, informou que um “mega acordo técnico e estratégico” está sendo firmado com os veículos de comunicação, com o aval do Grupo LANG. A transmissão iniciará pontualmente às 18h57min, sob a coordenação de Jotapê.

A organização do evento destacou a importância da pontualidade e da confirmação de presença. Fernanda Moreira, gestora de vendas do filme, e Julmir Cecon solicitaram aos convidados que chegassem ao local (Rua Flavio Aloisio Sander – Jardins Do Vale, Chapecó) com no mínimo 20 minutos de antecedência.

“Aury sempre demonstrou disciplina em tudo que fez; por que não copiar aquilo que deu certo?”, indagou Cecon.

O cerimonial será conduzido pelo jornalista Jucinei da Chaga. Entre os convidados confirmados estão os diretores do Grupo Condá, familiares das personagens do filme, empresários, patrocinadores, imprensa e os atores Nicola Siri e Isadora Ribeiro. O projeto conta com revisão jurídica da Pacheco Associados, de Erechim (RS).

Entre a luz e o sonho: a jornada cinematográfica de Osnei de Lima

Conheça a história do diretor do filme sobre Aury Bodanese

Era um menino magro, de olhos atentos e passos apressados pelas ruas de Faxinal dos Guedes. Entre o barulho dos picolés batendo na caixa de isopor e o apito do ônibus na rodoviária, ele carregava um sonho que ninguém ali podia medir: contar histórias para o mundo.
Osnei de Lima nasceu em Erval Grande/RS, no fim de um dezembro quente de 1974. Filho de Eva e José Vilmar, cruzou cedo as estradas de terra do Rio Grande e de Santa Catarina, até encontrar, em Faxinal, o cenário que moldaria seus primeiros atos.

Na Escola Básica Professor Salustiano Antônio Cabreira, descobriu que letras e palavras podiam abrir janelas. Fora dali, a partir dos 12 anos, aprendeu com o suor: ajudava nos treinos de vôlei, capinava lotes, limpava açudes, plantava grama. Mas, enquanto os pés pisavam o chão, o olhar já buscava as estrelas.

Foi num palco improvisado que veio a primeira faísca. A peça A Menina e o Vento, dirigida por Neri de Paula, atravessou o coração do adolescente como um clarão. Somaram-se a isso as fitas VHS de Teixeirinha, as gargalhadas dos Trapalhões e a certeza de que a vida podia caber dentro de uma tela.

Em 1989, aos 14 anos, fundou o grupo teatral Poliart Produções Artísticas. Mas teatro era só metade do sonho — ele queria filmar. E para filmar, precisava de uma câmera. Entrou num consórcio, entregando quase todo o salário conquistado na Sadia. Na quinta parcela, veio a carta: havia sido sorteado. Lembra até hoje do frio no peito e da respiração suspensa ao abrir o envelope.

Com a nova Gradiente GC 160 em mãos, reuniu amigos, improvisou microfones, trilha sonora e partiu para Nova Sarandi. O filme, que deveria ser de terror, acabou virando comédia. A plateia aplaudiu de pé. Era o primeiro “ação!” de muitos que viriam.

Dois anos depois, um novo roteiro, mais ousado: cem páginas, três dias de filmagem sem pausa. O público crescia, e Osnei entendia que sua vida estava ali — entre câmeras, luzes e pessoas dispostas a viver personagens.

Em 1993, mudou-se para Erechim. Sem a carteirinha de ator que lhe abriria as portas do teatro, decidiu criar seu próprio caminho: o cinema. Em 2000, lançou O Come Gente, primeiro filme genuinamente erechinense. Lotou sessões, apareceu no Fantástico, foi ao Programa do Jô e levou o prêmio de Melhor Filme Júri Popular no Festival de Gramado.

Vieram outros prêmios, outros festivais. Em 2002, o reconhecimento da APTC. No ano seguinte, o desafio de contar a história do assassinato de Tim Lopes, competindo com produções brasileiras e latino-americanas. A consagração já não era um sonho distante — era realidade.

Em 2005, iniciou nos longas. O remake de O Come Gente, agora com Bárbara Paz, abriu as portas para trabalhar com Humberto Martins, Gracindo Júnior, Débora Duarte e tantos outros rostos conhecidos da televisão e do cinema. Vieram participações de Ana Maria Braga, Roupa Nova, Dalvan. E as fronteiras se alargaram até a Itália, com três longas e um curta, e homenagens em Forno di Zoldo e Longarone.

Mais de cinquenta filmes depois, Osnei é também autor de três livros, compositor de dezenas de letras, pai de dois filhos e guardião das memórias de onde tudo começou. No mate compartilhado com amigos, costuma dizer:

“O reconhecimento não é só meu. É da equipe, é de cada um que acreditou junto. É o laço que mantém a chama acesa.”

Hoje, ele ainda carrega o mesmo brilho nos olhos de 1989. O mesmo que sentiu ao olhar pela primeira vez através da lente de sua primeira câmera. E talvez seja esse o segredo: nunca deixar que o peso das dificuldades apague a luz do sonho.

Porque, no cinema — e na vida —, a cena só termina quando o coração diz: corta.

“Antes do Nascer do Sol”

A vida e o legado de Aury Luiz Bodanese chegam às telas de cinema

Chapecó se prepara para revisitar um dos capítulos mais marcantes de sua história. A vida de Aury Luiz Bodanese (1934–2003), um dos maiores nomes do cooperativismo brasileiro, será contada no cinema em Antes do Nascer do Sol, produção que promete emocionar e inspirar ao narrar a jornada de um homem que transformou a realidade de milhares de agricultores no Sul do país.

Neto de imigrantes italianos, Aury nasceu em um período de profundas mudanças no Brasil rural. Reconhecido internacionalmente como exemplo de liderança, tornou-se símbolo de um modelo cooperativista que ultrapassa fronteiras, guiado pela solidariedade e pelo trabalho coletivo.

O longa será dirigido pelo cineasta gaúcho Osnei de Lima. Atualmente, o projeto está em fase de captação de patrocínios, já aprovado pela Ancine por meio da Lei do Audiovisual do Ministério da Cultura. O lançamento está previsto para 2027.

A narrativa terá início muito antes do nascimento de Aury, com a saga de seus avós italianos. Fugindo dos impactos da guerra, eles cruzaram o oceano em busca de um recomeço no Brasil. Esse pano de fundo histórico abre caminho para a história de um menino de infância simples, que enfrentou desafios desde cedo.

Aos 11 anos, Aury vendia bananas e jornais. Aos 15 já trabalhava como motorista de caminhão. A estrada o ensinou disciplina, coragem e persistência — virtudes que, anos depois, seriam decisivas para seu maior feito: assumir a presidência, em 1967, da CooperChapecó, renomeada como Cooperalfa em 01/01/1975, após se unir à CooperXaxiense. Em 15 de Abril de 1969, foi um dos responsáveis pela criação da Fricooper, hoje AuroraCoop, que figura entre as maiores exportadoras de proteína animal do Brasil, hoje reconhecida mundialmente.

Em julho de 1975, criava um projeto fabuloso de intercooperação, a FECOAGRO, unindo as cooperativas agropecuárias de SC para operar insumos mais baratos aos sócios. Em 16 de novembro de 1994, Aury estipulou o “banco próprio”, a CrediAlfa, hoje Sicoob/Maxicrédito, com mais de 260 mil cooperados.

Para Osnei de Lima, o filme vai além da biografia. “O impacto de Aury ultrapassa o cooperativismo. Ele tinha uma visão globalizada, enxergava 30 anos antes, uma liderança inabalável e uma mente criativa e organizada para superar qualquer barreira”, afirma o diretor.

A viúva, Zelinda Santa Catarina Bodanese, guarda na memória a resiliência do marido:
— Ele não desistia nunca. Se precisasse ir várias vezes a Florianópolis para conseguir um financiamento, ele ia. A frase que mais escutei dele foi: ‘Vai dar certo!’. E dava.

O legado de Aury é vasto. Ele foi peça fundamental na criação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Organização das Cooperativas de Santa Catarina (OCESC).

 O filme promete resgatar não apenas a trajetória pessoal e profissional de Aury, mas também a força de um movimento que mudou a história do agronegócio no Brasil. Ao revisitar sua vida, Antes do Nascer do Sol também será um tributo à persistência, à união e à capacidade de sonhar grande — valores que ainda ecoam no coração dos que conheceram Aury, trabalharam com ele ou se beneficiam de seu trabalho até hoje.

Como no título escolhido, a história revela que antes de cada amanhecer há um período de escuridão — mas, para aqueles que acreditam, a luz sempre chega. E Aury Luiz Bodanese foi, para muitos, a primeira claridade no horizonte, uma esperança firme nos propósitos, especialmente em favor dos pequenos e médios agricultores.